sábado, 23 de fevereiro de 2013

CONVERSÕES ABORTIVAS: DE QUEM É A CULPA?




As técnicas se tornam imorais quando, consciente ou inconscientemente, nós as utilizamos para manusear a vontade, as emoções ou a consciência de outrem.

O evangelismo não é uma lavagem cerebral

A conversão espiritual autêntica é muito mais profunda.
É acompanhada por uma alegria e uma paz mais do que temporária.
A conversão autêntica dá lugar à mansidão, à fome e sede de justiça, à humildade de espírito e a todos os frutos da justiça.

Se você é um pregador do evangelho, compete-lhe saber o que está fazendo.
Tenha cuidado para não utilizar suas habilidades como pregador na realização de psicoterapia coletiva. Lembre-se de que está colaborando com o Espírito Santo.
Você deve ter cautela em almejar grandes números de conversões, para que não tente realizar a obra que compete ao Espírito Santo.
Desempenhar o papel dEle é perigoso, imoral e blasfemo.


Seu trabalho, como pregador, consiste em explicar a Palavra de Deus, mostrando como ela se aplica.
A obra do Espírito Santo consiste em fazer a Palavra arraigar-se na consciência do homem, a fim de que este permaneça sob o efeito da convicção.
Portanto, não brinque com a consciência do pecador, relatando-lhe histórias espantosas.
Permita que o Espírito Santo realize a convicção e desperte o temor.
As histórias servem para esclarecer pontos obscuros da mensagem, não para produzir calafrios na congregação.

Isto significa que todas as técnicas de evangelismo estão erradas?
Claro que não.
Precisamos de técnicas para comunicar a verdade com clareza.
Todavia as técnicas se tornam imorais quando, consciente ou inconscientemente, nós as utilizamos para manusear a vontade, as emoções ou a consciência de outrem;
quando adquirem maior importância, em nossos pensamentos, do que o Espírito de Deus;
quando os resultados se tornam mais importantes do que as pessoas.

Não sou contra as emoções na pregação, e sim contra o emocionalismo.
Não me declaro contrário à persuasão fervorosa, e sim contra os truques utilizados para levar um homem a mudar de opinião.
Paulo pleiteava com homens e mulheres, chorando enquanto os exortava. Uma atitude magnífica!
Porquanto o evangelho de Jesus Cristo não consiste de uma inexpressiva proposição intelectual, e o destino de um homem impenitente não é uma questão de simples interesse acadêmico.

Por conseguinte, que haja lágrimas e não os que “arrancam lágrimas”; que haja persuasão e não as técnicas persuasivas.

Parte de nossa dificuldade se origina de nosso desespero em busca de resultados.

Os resultados precisam ser genuínos.
É a regeneração que torna o pecador apto para o céu, e não a manipulação de uma conversão psicológica.

O que posso dizer sobre os motivos que tenho em mente, quando busco resultados?
Eles se originam de um sincero interesse pelo meu próximo?
Originam-se do amor de Cristo que me constrange?
Anseio pela glória de Deus?
Ou simplesmente estou procurando comprovar algo?

Nunca lhe passou pela mente que a essência do testemunho (parte importantíssima da evangelização) é apenas honestidade franca?

A Bíblia não ensina que o crente deve agir como sal, somente declara que ele é sal.
Você é luz. Deus realizou algo em sua vida.
Não tente brilhar. Permita que resplandeça a luz que Deus colocou ali.

A honestidade exige que reconheçamos nossos fracassos.
Fracassar é algo ruim, mas enganar a respeito do fracasso é muito pior.
O fim nunca justifica os meios.

Não espere até ser perfeito para testemunhar de Cristo.
O testemunho envolve a franqueza em todas as ocasiões, inclusive agora.
Jamais encubra uma fraqueza sua com a finalidade de testemunhar.
O que o mundo espera ver não é um crente perfeito, e sim o milagre da graça de Deus agindo em um crente fraco e imperfeito.

É tempo de abandonarmos nossos enganos blasfemos, permitindo que nossa luz brilhe diante dos homens, a fim de que glorifiquem nosso Pai, que está no céu.


Por John White

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

AS MARCAS DOS GIGANTES DA FÉ


‘’Crentes eram pendurados em cordas de cabeça para baixo e açoitados tão severamente que seus corpos balançavam de um lado para o outro sob a força das pancadas. Eram colocados em refrigeradores tão frios que se formavam uma camada de gelo na parte interna. Eu próprio fui jogado em uma dessas celas, com bem pouca roupa. Até hoje algumas vezes não suporto abrir um refrigerador.’’
Rev. Richard Wurmbrand

‘’Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho.Sereis odiados de todos por causa de meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.’’ Mc 13.9,13

Recordo-me que quando li, já faz alguns anos, pela primeira vez o best-seller “ Torturados por Amor a Cristo’’ de autoria do Rev. Richard Wurmbrand, chorei copiosamente. Aliás, todas as vezes que volto a examinar essa obra profundamente espiritual, meus olhos se enchem de lágrimas.Vejo-me um pequeno anão na Fé, diante de gigantes do Evangelho na História da Igreja de Cristo. Envergonho-me em viver num mundo ocidental cujo Cristianismo tem sido manchado pela teologia da prosperidade, pelos múltiplos escândalos nas lideranças “cristãs’’, cada vez mais competitivas no mercado gospel, e por numerosos templos religiosos cheios de pessoas vazias de Deus que egoisticamente só se preocupam em alcançar a “ benção’’, esquecendo-se do Dono da benção.

Envergonho-me em ver uma geração analfabeta da Bíblia que corre atrás dos shows gospel e seus ídolos, enquanto milhares de cristãos no Oriente estão sendo perseguidos e martirizados. Permita-me, meu amigo(a), compartilhar o testemunho de um cristão cujo sofrimento por amor a Cristo, edifica milhões de vidas ao redor do mundo, inclusive a minha.

Consta em sua bibliografia relatada na obra supra citada que: “o Rev. Richard Wumbrand passou 14 anos como prisioneiro dos comunistas, torturado em sua própria terra, a Romênia. Em maio de 1966 chegou a testemunhar em Washington perante a Subcomissão de Segurança Interna do Senado Americano, ocasião em que tirou a camisa para mostrar aos presentes dezoito profundas cicatrizes provocadas pelas torturas físicas recebidas. Sua história foi levada a todo o mundo pela imprensa livre dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. Líderes cristãos tem-no considerado o “Mártir Vivo’’ , o “Paulo da Cortina de Ferro’’ e “a voz da Igreja Subterrânea’’. Creio que essas credenciais já são suficientes para nos conduzir a reflexão sobre o tipo de Cristianismo que estamos vivendo em terras brasileiras. Será que a Igreja Evangélica em nosso país está preparada para exercitar um mesmo nível de fé e fidelidade, que a Igreja Perseguida sustenta nos países declaradamente hostis ao Evangelho de Cristo? Pense nisso.

Sabemos que a perseguição aos cristãos é um fenômeno que ocorreu em toda a história do Cristianismo, desde o seu nascimento, sob o judaísmo, passando pelos primeiros séculos, sob o Império Romano, e chegando até os nossos dias. A Bíblia diz que todo aquele que quiser viver piedosamente em Cristo será perseguido (2Tm 3.12). Paulo diz: “A vós foi dado o privilégio não apenas de crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Fp 1.29).O versado autor cristão, Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu artigo ‘’Como ser um cristão fiel até a morte’’ relata que Dietrich Bonhoeffer enforcado no campo de concentração de Flossenburg na Alemanha, em 9 de abril de 1945 escreveu que o sofrimento é o sinal do verdadeiro cristão. Enquanto estamos aqui, muitos irmãos nossos estão selando com o seu sangue a sua fidelidade a Cristo.

Por isso, deixemos de viver um Cristianismo egocêntrico, superficial e mesquinho. Aprendamos com Paulo, as pisaduras do Mestre quando diz: ‘’ Ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus’’(Gl 6.17). Querido(a), quais são as suas marcas espirituais que testificam o seu amor por Ele? Tens alguma? Pense nisso e que o Senhor te abençoe ! ‘’ Em Deus faremos proezas…’’

Pastor Maurício Price

IGREJAS PARA AGRADAR?

AS IGREJAS ESTÃO PREOCUPADAS DEMAIS EM AGRADAR?
Jornalista pesquisa porque templos oferecem tanto entretenimento.


A igreja evangélica norte americana provavelmente é a mais influente do mundo. Muito da literatura e da música que ela produz acaba sendo distribuída em quase todo o planeta. Mas inegavelmente ela tem visto diminuir o número de fiéis nos últimos anos. Muitos atribuem o esvaziamento das igrejas ao grande número de escândalos envolvendo seus líderes, mas aparentemente o principal problema é que, ao procurar alimento espiritual, acabam encontrando pessoas mais preocupadas com o entretenimento.
A repórter Diana Bridgett, do site The Christian Post fez uma série de entrevistas sobre o assunto em uma matéria publicada recentemente.

Emily Michaels pós-graduanda no Seminário Teológico de Nova York, afirma “Eu gostaria de ver a igreja ser como nos dias de minha avó. A igreja de hoje tornou-se um espetáculo. Funciona quase como uma peça de teatro ou um musical. Você tem os espectadores, os cantores, os músicos, e um texto que parece decorado… tudo é ensaiado e acontece segundo o planejamento. Temos tempo para todas estas coisas, mas onde está a ação do Espírito Santo e o que aconteceu com a igreja simples?”.
Cynthia Hartgrove frequenta uma megaigreja em Nova Jersey, compartilha, mas lamenta: “Eu quase parei de ir à igreja pela mesma razão. Se eu quisesse apenas me divertir, poderia ir ao cinema. Eu não estou dizendo que o canto e a dança não são coisas boas, mas quando parece que é só isso, eu fico com dúvidas. É difícil até sair da cama quando seu coração está sobrecarregado e você vai à igreja e percebe que nada está mudando”.

Ele complementa, “nos tornamos tão críticos e rigorosos com os demais… criamos uma imagem de Deus que parece estar esperando para ver o que fazemos. Então ele poderá nos castigar ou recompensar. Esse parece ser o pensamento de todos sobre o amor de Deus nas pregações”.

Para Hartgrove é preciso repensar o que se deve esperar da igreja: “Muitas pessoas estão sofrendo. Eles vão à igreja para serem consoladas e restauradas. Muitos de nós estamos passando por crises ou sérios problemas. A igreja parece que não serve mais como um lugar de refúgio, mas é um lugar apenas de cobrança”.

Mark Rogers é diácono de sua igreja em Filadélfia. Ele entregou sua vida ao Senhor aos cinco anos. Agora ele tem 72 e acredita que, de modo geral, as igrejas têm sacrificado princípios do evangelho em troca de aceitação pelo mundo. “A Bíblia diz que estamos no mundo, mas não devemos fazer parte dele. Em nosso esforço para crescer, acabamos ignorando os ensinamentos básicos para ficarmos mais populares… A igreja tornou-se um negócio. O que está faltando é o evangelho puro e a experiência de intimidade com o Senhor. Isto é o que nós perdemos, intimidade com Deus”.

Ouvido pelo Gospel Prime sobre o assunto, o missionário brasileiro Alex Carvalho asseverou: ”Parece que o entretenimento tem se infiltrado nas nossas igrejas e as pessoas hoje não consideram mais a suficiência da Palavra ,em cultos que trocaram a palavra por outros programas e realmente isso gera uma teatralização da fé. Os antigos hinos que mexiam com a alma substituídos por músicas descartáveis de artistas gospel que vêm e vão. É preciso voltarmos à essência da plena, genuína e suficiente Palavra e desejarmos a manifestação da presença de Deus nos transformando, não nos divertindo”


por Jarbas Aragão

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A REFORMA E A MISSÃO

A PRESENÇA DA IGREJA COMO AGENTE DE EXPANSÃO DA PALAVRA PREGADA

A Reforma Protestante desencadeada com as 95 teses de Lutero divulgadas em 31 de outubro de 1517 foi sobretudo eclesiástica em um momento em que todos os olhares se voltavam para a reestruturação daquilo que a Igreja cria e vivia. Renasceram assim os dogmas evangélicos. A Sola Scriptura defendia uma Igreja centrada nas Escrituras, Palavra de Deus; a Sola Gratia reconhecia a salvação e vida cristã fundamentadas na Graça do Senhor e não nas obras humanas; a Sola Fide evocava a fé e o compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus; a Solus Christus anunciava que o próprio Cristo estava construindo Sua Igreja na terra sendo seu único Senhor e a Soli Deo Gloria enfatizava que a finalidade maior da Igreja era glorificar a Deus.

A Missão da Igreja, sua Vox Clamantis, não fez parte dos temas defendidos e pregados na Reforma Protestante de forma direta. Isto por um motivo óbvio: os reformadores como Lutero, Calvino e Zuínglio possuíam em suas mãos o grande desafio de reconduzir a Igreja à Palavra de Deus e assim todos os escritos foram revestidos por uma forte convicção eclesiológica e sem uma preocupação imediata com a missiologia. Isto não dilui, entretanto, a profunda ligação entre a reforma e a obra missionária por alguns motivos:
a) A Reforma levou a Igreja a crer que o curso de sua vida e razão de existir deveriam ser conduzidos pela Palavra de Deus (submetendo o próprio sacerdócio a este crivo bíblico) e foi justamente esta ênfase escriturística que despertou Lutero para a tradução da Palavra na língua do povo e inspirou posteriormente centenas de traduções populares em diversos idiomas fomentando posteriormente movimentos como a Wycliffe Bible Translators, com a visão da tradução das Escrituras para todas as línguas entre todos os povos da terra. Hoje contamos com a Palavra do Senhor traduzida para 2.212 línguas vivas. João Calvino enfatizava que “... onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza... não há dúvida de que existe uma Igreja de Deus ”. O grande esforço missionário para a tradução bíblica resulta diretamente dos ensinos reformados.
b) A Reforma reavivou o culto onde todos os salvos, e não apenas o sacerdote, louvavam e buscavam a Deus. E Lutero em uma de suas primeiras atitudes colocou em linguagem comum os hinos entoados nos cultos. Esta convicção de que é possível ao homem comum louvar a Deus incorporou na Igreja pós reforma o pensamento multiétnico onde “o desejo de levar o culto a todos os homens”, como disse Zuínglio, não demorou a ressoar na Igreja culminando com o envio de missionários para o Ceilão pela Igreja Reformada holandesa no século XVII. Tal fato disparou um progressivo envio missionário e expansão da fé Cristã nos séculos que viriam. Um culto vivo ao Deus vivo foi um dos pressupostos reformados que induziu a obra missionária a levar este culto a todos os homens transpondo barreiras linguísticas, culturais e geográficas.
c) A Reforma trouxe a Glória de Deus como motivo de vida da Igreja e isto definiu o curso de todo o movimento missionário pós reforma onde o estandarte de Cristo, e não da Igreja, era levado com a Palavra proclamada entre outros povos. Os morávios já testificavam isto quando o conde Zinzendorf, ao ser questionado sobre seu real motivo para tão expressivo e sacrificial movimento missionário, responde: “estou indo buscar para o Cordeiro o galardão do Seu sacrifício”. John Knox na segunda metade do século XVI escreveu que a Genebra de Calvino era “a mais perfeita escola de Cristo que jamais houve na terra desde a época dos apóstolos”. O centro das atenções portanto era Cristo e nascia ali um modelo cristocêntrico de pregação do evangelho que marcaria o curso da história missionária nos séculos posteriores.
Mas, sobretudo, a Reforma Protestante submeteu a Igreja ao crivo da Palavra e isto revelou-nos a nossa identidade bíblica, segundo o coração de Deus. Seguindo o esboço desta eclesiologia reformada poderemos concluir que somos uma comunidade chamada e salva pelo Senhor com uma finalidade na terra. Zuínglio, logo após manifestar sua intenção de passar a pregar apenas sermões expositivos em janeiro de 1519, afirmou em sua primeira prédica que “a salvação põe sobre nós a responsabilidade de obediência ”.

Seguindo esta ênfase eclesiológica sob cunho escriturístico vemos que Ekklesia, Igreja, é um termo composto que pode ser dividido em "Ek" (para fora de) e "Klesia", que vem de "Kaleo” (chamar). Etimologicamente pode, portanto, ser entendida como "chamada para fora de" o que a principio nos dá uma ideia mais real desta comunidade dos santos que entra em um templo mas precisa postar seus olhos além muros. Obviamente o termo também está ligado a "agrupamento de indivíduos" e de certa forma a "instituição" porém, em todo o N.T. adquire o conceito de "comunidade dos santos" e fora MT. 16:18 e 18:17 está ausente dos evangelhos aparecendo, porém, 23 vezes em Atos e mais de 100 vezes em todo o Novo Testamento. Gostaria que déssemos atenção neste momento a alguns conceitos neotestamentários e reformados para esta comunidade dos filhos de Deus que foram demoradamente estudados pelos reformadores e impulsionam a Igreja hoje para uma obra missionária baseada na Sola Scriptura e para a glória de Deus.
1. Igreja de Deus
Comumente encontramos no N.T. a expressão "Igreja de Deus” ("Ekklesia tou Theou") o que evidencia que esta Igreja veio de Deus e pertence a Deus. É uma comunidade que possui Deus como fonte; é eterna, espiritual e universal. Não provém de elucidação humana ou de uma obsessão nutrida por um grupo de loucos há 20 séculos, antes foi articulada por Deus, formada por Deus, é pertencente a Deus e permanece ligada a Deus. Independente das deturpações da fé, das ramificações que se liberalizaram, dos que se perderam pelo caminho, a Igreja permanece, pois é posse de Deus.

Desta forma a “Ekklesia tou Theou” necessita caminhar de acordo com o palpitar do coração de Deus, a quem pertence, traduzindo para sua vida os desejos profundos deste coração. É baseados nesta verdade que necessitamos renovar nosso compromisso com a eclesiologia bíblica – um grupo de santos chamado por Deus para a inusitada tarefa de transtornarem o mundo com o evangelho de Cristo.
2. Igreja local
Também no N.T. encontramos o conceito de "igreja local". Em 1o Co 1:12 vemos, por exemplo, a expressão "Igreja de Deus que está em Corinto", onde "que está" (“te ouse”) indica a localidade da igreja. Mostra-nos que os santos de Corinto pertencem à Igreja, e não que a Igreja pertence à Corinto, o que deve ficar bem claro. Nos últimos 2.000 anos a Igreja adquiriu uma forte tendência de se "localizar" condicionando-se tão fortemente a uma cidade ou bairro a ponto de alguns chegarem a defender uma "demarcação" geográfica da responsabilidade da Igreja impedindo trabalhos fora da sua "jurisdição".

Num conceito neotestamentário "Igreja" é uma comunidade sem fronteiras e, portanto, creio que há necessidade de sacramentalizarmos mais os santos e menos os templos. Missões não é um programa eclesiástico, é a respiração da Igreja. Lembro que na tribo Konkomba no oeste africano há uma expressão que diz: “respiração é vida – não é preciso pensar para respirar; não é preciso pensar para viver”.
3. Igreja humana
Também dentro do conceito de "Igreja" nos deparamos no N.T. com um perfil bastante humano. Em 1 Ts 1.1 por exemplo vemos "igreja de Tessalônica" ("ekklesia Thesalonikeon") dando-nos a ideia daqueles que são Igreja também sendo Tessalônicos, cidadãos de Tessalônica.
Mostra-nos o fato de que por serem "Igreja" não significa que deixam de ser cidadãos, patriotas, carpinteiros, lavradores, comerciantes, desportistas, pais, mães ou filhos. "Igreja" no N.T. não é apresentada como uma comunidade alienante, mas como uma comunidade que abrange o homem em seu contexto humano fazendo-nos entender que esta Igreja não foi separada do mundo e sim purificada dentro dele. Mostra-nos também que na obra missionária não há super homens mas sim gente como a gente tendo o privilégio de espalhar o Evangelho de Cristo além fronteiras.

No livro de Atos, a humanidade passo a passo era chocada com a fé daqueles que "transtornavam o mundo", onde o viver é Cristo, o objetivo era ganhar almas, a alegria era a adoração, o que os unia era a verdadeira comunhão, o amor era traduzido em ações, os fortes guiavam os fracos, as dificuldades eram enfrentadas com oração, a paz enchia os corações e todos, mesmo sem muita estrutura humana, possuíam como finalidade de vida apenas testemunhar do seu Mestre. Era uma Igreja visionária formada por gente limitada como nós.

Entretanto, quando olhamos para esta Ekklesia do Senhor Jesus no contexto embrionário do Novo Testamento a pergunta que salta aos olhos é: qual deve ser a principal motivação dos santos para o envolvimento com a obra missionária mundial fazendo Cristo conhecido entre todos os povos da terra? Nesta expectativa olhamos para Paulo o qual, como missiólogo, expôs aos Romanos a nossa real motivação bíblica e reformada.
Para isto é preciso reler Romanos 16:25-27 quando o apóstolo, encerrando esta carta de grande profundidade missiológica, diz:

"Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho “
(fala de Deus)
"conforme a revelação do mistério "
(o mistério é o Messias prometido a todos os povos)
"e foi dado a conhecer por meio das Escrituras Proféticas"
(este é o meio de Revelação)
"segundo o mandamento do Deus eterno"
(este é o meio de Eleição)
"para a obediência por fé "
(este é o meio de Salvação)
"entre todas as nações "
(Isto é Missões – a extensão do plano salvífico de Deus)

Mas qual o motivo para este plano divino que visa a redenção de todos os povos?
Ele responde no verso 27: "Ao Deus único e sábio seja dada glória ...”

É a glória de Deus. Este é o maior e mais importante motivo para nos envolvermos com o propósito de fazer Jesus conhecido até a última fronteira do país mais distante, ou da criança caída na esquina da nossa rua.

Martinho Lutero, em um sermão expositivo em 1513 baseado no Salmo 91 afirmou que “a glória de Deus precede a glória da Igreja”. É momento de renovar nosso compromisso com as Escrituras, reconhecer que existimos como Igreja pela graça de Deus, orar ardentemente por fidelidade de vidas e entender que o próprio Jesus está construindo a Sua Igreja na terra. E quando colocarmos as mãos no arado, sem olhar para trás, nos lembremos: a razão da nossa existência é a glória do Deus. Pois Deus é maior do que nós.

Por Ronaldo Lindório

MEIOS CARNAIS x PESSOAS CARNAIS

A IGREJA USANDO MEIOS CARNAIS PARA ATRAIR PESSOAS CARNAIS



Uma verdade moderna!!!

A REFORMA PROTESTANTE

PERGUNTAS
E
RESPOSTAS

1. Qual a importância da Reforma?
A Reforma Protestante foi importante para o cristianismo porque chamou a atenção para verdades (doutrinas) e práticas bíblicas que haviam sido esquecidas ou distorcidas pela Igreja Medieval. Não foi um movimento inovador, mas restaurador das convicções e ênfases do cristianismo original. Algumas de suas principais contribuições foram: retorno às Escrituras; a centralidade de Cristo; a salvação vista como dádiva da graça de Deus, a ser recebida por meio da fé; a Igreja não é a instituição ou a hierarquia, mas o povo de Deus – cada cristão é um sacerdote.

2. A Reforma foi um movimento exclusivamente religioso?
Embora tenha sido um movimento predominantemente religioso, a Reforma teve importantes ligações com as realidades econômicas, políticas e sociais do século 16. Na área econômica, contribuíram para a Reforma fenômenos como o fim do feudalismo, o desenvolvimento do capitalismo e a crescente urbanização. Ao contrário da mentalidade católica medieval, os protestantes tinham uma visão positiva do trabalho, do lucro e das ocupações “seculares”. Suas concepções acerca da pobreza também eram diferentes. Por outro lado, a Reforma foi um protesto contra a opulência da Igreja Majoritária e suas contínuas interferências na economia das nações européias (através de inúmeros impostos eclesiásticos e outros meios).

3. Qual a posição de Lutero quanto ao livre arbítrio?
Lutero negou o livre arbítrio no que diz respeito à salvação – o ser humano, escravizado pelo pecado, não pode por si mesmo buscar a Deus. Todavia, o livre arbítrio permanece intacto em relação a outras questões, como as decisões comuns e as responsabilidades da vida cotidiana.

4. Por que existem tantas igrejas protestantes?
Lutero defendeu firmemente a sacerdócio universal dos fiéis, mas essa não é a principal razão da existência de muitas igrejas evangélicas. A razão maior está no princípio do “livre exame”, ou seja, o direito de todo cristão de estudar por si mesmo as Escrituras, não ficando preso à autoridade da Igreja ou a uma interpretação “oficial” da Bíblia.

5. Há necessidade de uma nova Reforma?
Existem muitas igrejas ditas “protestantes” ou “evangélicas” que, por terem se afastado dos princípios básicos propostos pelos reformadores, realmente necessitam de uma nova Reforma.

6. Como a Reforma contribuiu para o pensamento moderno?
A Reforma contribuiu para o pensamento moderno de muitas maneiras. Seu questionamento do autoritarismo religioso medieval, sua ênfase à participação responsável dos fiéis na vida e na direção das igrejas, seu estilo participativo de liderança, sua valorização do trabalho e de toda e qualquer ocupação honesta contribuíram para o fortalecimento de noções como liberdade, democracia e solidariedade social. Os diferentes reformadores e seus seguidores deram importantes contribuições nas áreas da teologia, filosofia, política, sociologia e ética.

7. Que dizer da imagem negativa de Lutero?
Felizmente, essa imagem negativa de Lutero está em declínio. Atualmente, mesmo historiadores católicos têm tido uma visão mais construtiva e equilibrada do pensamento e da obra do reformador.

8. É correta a interpretação de Marx e Engels de que a Reforma foi motivada por fatores sociais e econômicos?
Essa visão de Marx e Engels é parcial e inadequada. Lutero foi movido acima de tudo por sua intensa experiência religiosa. Ele havia se tornado um monge por preocupar-se com a sua salvação; porém, a sua vida monástica só fez aumentar a sua insegurança espiritual. Foi então que descobriu nas epístolas paulinas o ensino acerca da justificação pela fé. Essa experiência libertadora, que trouxe paz ao seu coração, e as convicções dela resultantes, foram o fundamento da sua obra como reformador.

9. Lutero era aliado das elites?
Lutero era inteiramente popular, como demonstram fartamente os seus escritos. Ele era um homem do povo, falava a linguagem do povo, por vezes bastante áspera, e só ocasionalmente envolveu-se com os nobres, por força das circunstâncias políticas da época.

10. É verdade que o reformador Lutero gostava de uma boa cerveja?
Lutero realmente gostava de comer e beber, por entender que essas eram dádivas de Deus aos seus filhos.

11. Por que a Reforma teve diferentes manifestações?
A Reforma teve características distintas em outras partes da Europa por vários motivos: as personalidades e ênfases dos outros reformadores, as peculiaridades culturais das outras nações e as realidades políticas dessas nações. Por exemplo, na Inglaterra a Reforma só implantou-se graças à interferência decisiva de vários monarcas, como Henrique VIII, Eduardo VI e, em especial, Elizabete I. Querendo agradar os seus súditos protestantes e católicos, ela criou o anglicanismo, uma síntese de elementos dessas duas tradições religiosas.

www.antunesebd.com | Mackenzie | Original aqui